Foto: Beto Albert (Arquivo Diário)
Após o anúncio do reajuste da passagem do transporte coletivo em Santa Maria, o diretor da Associação dos Transportadores Urbanos de Passageiros de Santa Maria (ATU), Edmilson Gabardo, afirmou que o novo valor não recompõe as perdas acumuladas pelo sistema. Ele foi entrevistado no programa Fim de Tarde, da Rádio CDN 93.5, nesta quarta-feira (04).
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Segundo ele, a tarifa técnica calculada anteriormente era superior ao valor anunciado pela prefeitura.
– O déficit vai continuar. Esse reajuste repõe uma pequena parte. A tarifa teria que ser 7,65. Vai continuar a defasagem – declarou.
Gabardo relembrou que, em julho do ano passado, foi calculada uma tarifa de R$ 7,65, mas os valores decretados ficaram abaixo disso. Desde então, segundo ele, as empresas vêm enfrentando dificuldades para cumprir obrigações financeiras.
Ele também disse que o reajuste anunciado agora é inferior à necessidade já apontada anteriormente e que soube da decisão por meio da reportagem do Diário, após contato da repórter Vitória Sarturi.
– Essa notícia eu recebi pela Vitória hoje à tarde. De que haveria essa majoração, que é inferior à necessidade que nós já tínhamos no ano passado – declarou.
Pagamento de salários
Questionado sobre o pagamento dos salários dos trabalhadores, que vencem na sexta-feira (06), Gabardo afirmou que havia incerteza até o anúncio do reajuste.
– Estávamos sem norte, estávamos com a tarifa absolutamente defasada. No caso específico da minha empresa, eu tinha conseguido juntar 75% da folha (para sexta-feira) – disse.
Com o anúncio do aumento, a expectativa é que a antecipação da compra de vale-transporte gere caixa para quitar os salários de fevereiro na sexta-feira.
Gabardo lembrou que quem comprar créditos antes da vigência do novo valor poderá utilizar a tarifa antiga por 30 dias. O diretor da ATU também afirmou que o valor cheio pode ser evitado com o uso do cartão.
– Mas também destaco que quem paga R$ 7,25 é só quem quer pagar R$ 7,25. Porque é só ir ali na ATU, fazer uma carteirinha gratuitamente, um cartão, vai ali, carrega e paga 6,65 – sugeriu.
O peso das gratuidades
Edmilson Gabardo ressaltou que o valor efetivamente recebido pelas empresas por passageiro é inferior ao pago na catraca.
– A tarifa que as empresas recebem por passageiro transportado está em R$ 4,40, porque transportamos 1,4 milhão de passageiros e, desse total, cerca de 300 mil não pagam nada – disse.
Também detalhou os valores que, segundo ele, ainda não foram repassados ao sistema a título de subsídio.
– Dá nessa faixa aí de R$ 14,5 milhões a R$ 15 milhões, mais ou menos – afirmou.
“Transporte é caro em qualquer lugar do mundo”
Durante a entrevista, Gabardo defendeu a necessidade de subsídio ao sistema e afirmou que o custo elevado não é uma realidade exclusiva do município.
– O transporte é caro em qualquer lugar do mundo, não é só no Brasil. Não é em Santa Maria ou Porto Alegre ou São Paulo. É no mundo inteiro, o transporte é caro. Nós somos uma atividade na qual trabalhamos 365 dias por ano – argumentou.
Ele também afirmou que, para manter os serviços públicos e garantir subsídios ao transporte, o município precisaria ampliar receitas – inclusive com aumento de impostos:
– Eu já disse para o prefeito lá no ano passado: “Prefeito, o senhor tem que aumentar os impostos”.
O diretor da ATU comparou o pagamento de tributos com gastos mensais considerados não essenciais.
– Eu pago entre telefonia, internet e Netflix R$ 300, R$ 350 por mês. Pagamos mais por isso do que por um serviço público essencial, como iluminação, coleta de lixo e posto de saúde.
Para ele, o financiamento do transporte público exige escolha coletiva.
– O dinheiro não cai do céu. Queremos ter o serviço público? É caro o transporte? Precisa de subsídio? Então vamos ter que aumentar os impostos para que seja pago também o subsídio – disse.
Possível judicialização
Sobre eventual questionamento judicial do reajuste, Gabardo afirmou:
– Eu acredito que não, porque ele está abaixo do que foi aprovado o ano passado no Conselho Municipal de Transportes.
Ele ainda completou que, se todos os custos fossem considerados integralmente, o valor poderia ser ainda maior.
– Se botasse na planilha, é bem próximo de R$ 9 a tarifa (..). Quando for publicado o edital de licitação, os senhores podem ter certeza que a tarifa vai bater ali entre R$ 9 e R$ 10 – declarou.
Novos valores da passagem
A partir de 9 de março de 2026, os valores da tarifa do transporte coletivo de Santa Maria serão:
- Dinheiro: R$ 7,25
- Vale-transporte e Cartão Cidadão: R$ 6,65
- Cartão estudante: R$ 3,82
- Cartão estudante integrado: R$ 1,91
- Cartão cidadão integrado / vale-transporte integrado: R$ 5
- Aplicativo de bilhetagem eletrônica: R$ 6,65
- Cartões bancários: R$ 7,65 (tarifa técnica)
Confira a entrevista completa